Estudos iniciais com pacientes deprimidos mostraram que seus familiares apresentam maior risco para terem depressão, sugerindo potencial participação de fatores genéticos no desenvolvimento da depressão. 

Por exemplo, há estudos que sugerem que, em filhos de pais com depressão, a chance de desenvolver o mesmo transtorno mental no início da vida adulta é de aproximadamente 40%.

Com o tempo, estudos com gêmeos idênticos (que possuem a mesma carga genética) mostraram que a concordância (ou seja, a probabilidade de ambos terem depressão) era de 37%, maior do que para gêmeos não idênticos ou irmãos não gêmeos. Esse componente genético parece ser mais importante no sexo feminino do que no masculino.

Diversas técnicas para estudos genéticos foram elaboradas ao longo dos anos. O que se tem observado é que não existe nenhum gene em específico como causa direta da depressão; o componente genético estaria relacionado a pequenos efeitos de múltiplas variantes genéticas.

Imagem mostra homem com depressão

Fatores ambientais e a depressão

A primeira evidência científica de como o ambiente interage com fatores genéticos no desenvolvimento da depressão foi de que pacientes com formas genéticas específicas, com histórico de eventos estressores na infância, tinham maior chance de ter depressão.

A ocorrência de estressores poderia levar a alterações cerebrais e sistemas fisiológicos, contribuindo no desenvolvimento e persistência da depressão. Com o tempo, mais evidências foram publicadas de como o ambiente desempenha importante papel no desenvolvimento dos sintomas.

Entende-se atualmente que sofrer maus-tratos em períodos críticos na infância e adolescência aumenta o risco de desenvolver um episódio depressivo ao longo da vida. Além disso, traços de personalidade, hábitos de vida (ex. relacionados à prática de exercício físico e alimentação), uso de substâncias psicoativas podem contribuir para o maior risco.

Fatores sociais e a depressão

Também são importantes determinantes para a saúde mental e o risco de transtornos mentais – como a depressão – a desigualdade social e econômica, exposição a violência, bem como fatores biofísicos (ex.: exposição a poluentes e ruído ambiental).

Tais fatores descritos até aqui, genéticos e ambientais, fornecem vulnerabilidade aos diversos indivíduos que desenvolvem depressão. São fatores predisponentes, sendo fatores que podem variar entre cada paciente em quantidade e em quais estão presentes. 

Fatores precipitantes de depressão

Há ainda fatores precipitantes, que ocorrem pouco antes do início da depressão, tais eventos estressantes (ex.: como luto, separação, sofrer violência, perda de emprego, experienciar alguma doença etc.), doenças clínicas que podem causar sintomas depressivos, uso de substâncias (medicações ou drogas recreativas) etc. 

A suscetibilidade a tais fatores, principalmente aos eventos estressantes na vida adulta, parece ser muito influenciada pela ocorrência de eventos traumáticos na infância.

Conclusão

Portanto, diante das evidências atuais, compreendemos que existe um componente hereditário da depressão, mas que não é suficiente para explicar o desenvolvimento da depressão. 

Há uma complexa interrelação entre fatores predisponentes (dentre eles, os genéticos) e fatores precipitantes, sendo uma área de intensa pesquisa, para melhor compreensão, visando ações preventivas, diagnósticas e terapêuticas de maior precisão..

Se você sofre de depressão ou conhece alguém que possa estar sofrendo com esse quadro, procure uma clínica de psiquiatra! Que tal conhecer o melhor psiquiatra em São Paulo?